Deixem que as crianças venham a mim

Introdução

O Cristianismo é a religião que mais valoriza as crianças, dando a elas o devido lugar na sociedade.  

Deixem que os pequeninos venham a mim”, sempre vendo neles a imagem do Deus criador. Antes de Cristo, em muitas partes do mundo, as crianças não eram valorizadas, eram como se fossem propriedade dos pais, dispondo-as como quisessem, podendo vendê-las, escravizá-las, ou mesmo tirar-lhes a vida. 

Até hoje alguns filhos sofrem com a tirania possessiva dos pais, como impacto herdado dos velhos tempos, quando a criança não era valorizada pela sociedade. 

Os cananeus e amonitas sacrificavam suas crianças aos deuses Baal e Moloque, queimando-as vivas no fogo (confira Levítico 18.21; 20.1-5). Uma cena horrível para imaginarmos. Os israelitas muitas vezes, como resultado da decadência espiritual faziam o mesmo com os seus filhos (confira Salmo 106.38; Jeremias 7.30-31; 19.4-5; Ezequiel 16.20-21; 23.37-39; 2Crônicas 28.3; 2Reis 21.6; 17.17). 

Deus ordenou que Abraão sacrificasse seu filho, Isaque, no Monte Moriá, como certamente já era praticado na época, para testar a sua fidelidade a Ele. Mas no momento exato em que Isaque ia ser sacrificado, Deus providenciou um cordeiroque simbolizava o sacrifício vicário que Deus faria com seu Filho, para resgatar do pecado todos aqueles que o confessassem e aceitassem esse sacrifício messiânico. 

Em nenhum momento, ao ordenar que Abraão sacrificasse Isaque, Deus mostrou aprovação para esse costume horrendo, visto que a Bíblia enfatiza que Deus ama as crianças. Na verdade, naquela cena sacrificial estava retratado todo o plano de Deus para trazer para si o ser humano afastado pelo pecado. 

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23), e “porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23; Gênesis 2.15-17). A humanidade assimilou essa ideia de sacrificar pessoas pelo pecado, para aplacar a ira de seus deuses. As crianças eram as preferidas, porque eram inocentes, puras e sem pecado. Depois foi estabelecido por Deus o sacrifício de animais no lugar do pecador. Era Deus ensinando, “a pessoa que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18.4) e assim esse animal sacrificado era a substituição da pessoa que deveria morrer. 

Por fim, Jesus Cristo é sacrificado na cruz, para que a humanidade tivesse a oportunidade de ter os seus pecados perdoados não sendo mais necessária a repetição de sacrifícios, porque ele morreu uma só vez pelos pecados de muitos, como diz a Palavra de Deus (2Coríntios 5.14-21). 

O Cristo, o filho de Deus, se fez criança na pessoa do menino Jesus, tornou-se homem, e morreu por todos, ensinando que sua morte era a reconciliação de Deus com os homens. Portanto, sua morte representa vida. 

Um casal gera um corpo físico. O espírito é sopro de Deus. Logo, dentro de cada criança está o fôlego do Espírito Santo, a divindade do Criador (Gênesis 2.7; Isaías 40.7). 

Assim a dignidade da criança deve ser respeitada, como se respeita a pessoa do Espírito de Deus. E esse mérito tem maior destaque no cristianismo.

Confiança em Deus

As crianças no caminho de Jesus (vs. 13-14) 

 

  1. Jesus estava cansado depois de uma longa jornada ensinando e curando. Foi para a região da Judeia, além do Jordão, e as multidões o seguiam, em busca de amor e atenção. Aquelas pessoas estavam carentes e sofrendo.

  2. De repente, surgem pais e mães com suas crianças para que Jesus as tocasse e abençoasse. Os discípulos as repreenderam, questionando por que Jesus dedicaria parte do seu precioso tempo com essas crianças. Nessa época, em pleno império Romano, as crianças ainda não eram valorizadas. “Por que vocês incomodam o mestre com essas crianças”? 

  3. Esse era o ponto de vista sobre o valor das crianças, mesmo entre os discípulos de Jesus. Jesus ficou muito indignado com isso: e disse aos seus discípulos: “Deixem que os pequeninos venham a mim; não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus.” (v. 14).

  4. As crianças no caminho de Jesus têm direito de ir a Deus, sem os impedimentos que os adultos preconceituosos lhes criam. As crianças foram instrumentos de ensino do Senhor como exemplo dos cidadãos do Reino de Deus e Jesus incentivou que elas fossem valorizadas para sempre, colocando-as num pedestal de alta dignidade: “Deixem que os pequeninos venham a mim”.

  5. Cidadão da terra, sem os impedimentos dos adultos. As crianças são cidadãs da terra, com os mesmos direitos dos adultos. Se assim não for, para que gerar e conceber filhos? E uma vez gerados e concebidos, devemos valorizá-los reconhecendo que são presentes de Deus para nossa vida.

  6. Muitos sofrem na vida, pelos traumas adquiridos quando crianças, pela imposição e repreensão dos adultos. As crianças são indefesas perante as rejeições sofridas pelos adultos. 

  7. O mundo será bem melhor quando a dignidade das crianças for respeitada e bem orientada. 

  8. Deus instituiu a família. Um lar sem crianças seria um jardim sem flores (Gênesis 1.27-28). O lar é a primeira escola em que as crianças devem receber o ensino sobre o amor, devem ser bem cuidadas, respeitadas, orientadas e preparadas para a vida, quando assumirem seu papel de adultos na comunidade. 

  9. A segunda escola é a igreja, onde a criança deve ser guiada nos caminhos do Senhor (Provérbios 22.6). 

  10. Em terceiro lugar, está a escola secular e o ambiente social onde a criança recebe a formação intelectual, que irá prepará-las para a vida profissional. Em casa, na igreja, na escola e no meio ambiente, a criança deve ser tratada com amor, justiça e carinho, diferente dos horrores do passado, no entanto, sem desprezar a disciplina (Provérbios 13.24). 

  11. Cidadãos do Reino de Deus (v. 14). 

  12. A Bíblia diz que do interior das crianças sai o perfeito louvor (Mateus 21.16). No texto em foco elas são modelo de cidadãos do Reino de Deus. Em muitas igrejas, porém, elas são esquecidas e não recebem a importância que merecem, como os adultos do futuro. 

  13. Jesus explica que para uma pessoa ser cidadã do Reino de Deus, ela precisa tornar-se como criança, nascendo de novo (João 3.1-12). 

  14. Jesus ensinou que o maior no reino dos céus precisa tornar-se como criança (Mateus 18.1-6). Por que essa comparação? A criança é humilde, dependente, despretensiosa, submissa, amorosa, pura, perdoadora, sem maldade. Quem faz uma criança tropeçar perante Deus é merecedor da morte no fundo do mar, amarrado a uma pedra (Mateus 18.6). 

  15. Deus sempre deu grande importância às crianças como cidadãs do Reino dos Céus, por isso elas devem ser direcionadas para aprender e viver as leis desse Reino (Deuteronômio 6.1-9). 

  16. Aprender a viver os bons ensinos da Palavra de Deus leva a uma vida digna capaz de transpor as dificuldades, procedendo como uma pessoa salva, um filho de Deus, cheio da sabedoria do alto, que busca a perfeição, preparado para toda a boa obra (2Timóteo 3.10-17). 

  17. O mundo está precisando ser influenciado pelos filhos de Deus, e a melhor maneira de suprir essas carências é fazer de nossas crianças verdadeiras cidadãs do Reino de Deus. 

As crianças e as bênçãos de Jesus (vs. 15-16)

  1. O texto em foco é um lindo quadro: Jesus abençoando as crianças. Ele as vê com sua alma pura e diz: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.” (v. 15). 

  2. Há quatro aspectos básicos sobre o Reino de Deus nas Escrituras. Deus reinando nos corações. As comunidades do Reino de Deus, formando um reino em extensão. O domínio de Deus no mundo. O domínio de Deus no seu trono celeste. 

  3. No texto em foco, Jesus fala mais do primeiro aspecto, Deus reinando nos corações. 

  4. Os adultos, cheios de ideias, pensamentos, conceitos, filosofias, sabedoria, teologias, ficam, muitas vezes, longe dos princípios do Reino de Deus. Deus se aproxima, bate à porta e ela está impedida pela própria pessoa em seu egocentrismo. As crianças ainda não têm esse problema. Estão vazias para que Deus possa entrar e reinar em seu coração. Por isso, Jesus disse que o Reino de Deus é delas. Elas estão naturalmente afinadas com o Reino de Deus. Deus adverte que os seus pensamentos e caminhos não são os mesmos caminhos do ser humanocultuador de seus próprios conceitos (Isaías 55.6-13). Por isso, é bênção encaminhar as crianças, ensinando-as os princípios da Palavra de Deus, como ensina Deuteronômio, Provérbios e muitos outros textos da Bíblia. 

  5. As crianças têm mai facilidade para a dependência de Deus, por serem dóceis, sabendo confiar nos cuidados do “Papai do céu” (1Pedro 5.6-7). 

  6.  Deus tem cuidado de quem lhe abre o coração e vive para seus ensinos. Jesus tomou as crianças em seus braços. As crianças precisam de um gesto de amor, carinho e compreensão, precisam de amparo e cuidado. Jesus abençoou as crianças “impondo-lhes as mãos” (v. 16). 

  7. Como as crianças precisam de toques de mãos abençoadoras, e não de mãos danosas! Sob as bênçãos que descem das mãos de Jesus, as crianças só poderão ser educadas e desenvolver-se felizes, na certeza de que entregarão seu coração ao Senhor. 

  8. Vamos instruir as crianças nos caminhos de Jesus até que sejam parecidas com ele. 

 

Conclusão: 

 

Deixem que os pequeninos venham a mim”, disse Jesus, “não os impeçam”, “dos tais é o Reino de Deus”. Hoje é um dia especial em que procuramos destacar a importância da criança, como nos tem ensinado a Palavra de Deus, dando a elas a dignidade como o fez o próprio Senhor Jesus. Cada um pense na bênção de ter seus filhos no caminho do Senhor, o grande modelo de filho de Deus. Assim as crianças se educarão felizes como cidadãs da terra e dos céus. 

Deixem que os pequeninos venham a mim (…) não os impeçam (…) dos tais é o Reino de Deus”. 

Amém. 

3 comments

  1. Eliel Souza

    Nossa, perfeito, muito bom os ensinamentos, sempre que posso estou lendo essas reflexões, pois me ajudam a entender os planos de Deus para nos. Parabéns pelo trabalho, que Deus seja louvado através de vocês!!

  2. Raquel

    Excelente ensinamentos. Deus seja louvado.

  3. Maria Inês

    Glória a Deus, pela palavra aqui ensinada. Um excelente ensinamento.

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