Graça

Sentar-se na igreja enquanto uma ferida, dependência ou mau hábito são tratados pode ser uma experiência solitária. Olhamos ao redor para os casais bem vestidos com seus filhos impecáveis e sentimos como se fôssemos os únicos a passar por dificuldades na vida. Mesmo que tenhamos lido a Bíblia várias vezes à procura de respostas e participado de todas as aulas oferecidas pela igreja, nossa vida está longe de ser perfeita. 

Igreja, um lugar de acolhimento

O pastor de uma grande igreja passou oito semanas pregando sobre os princípios da recuperação. A cada semana, a mensagem era concluída com um testemunho de um membro do Celebrando a Recuperação. Semana após semana, à medida que os testemunhos eram compartilhados, a resposta da congregação era chorar com empatia, gemer de dor ou sentar-se em silêncio, surpresa.  

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Entendendo que os testemunhos haviam começado a mudar a congregação, o pastor quis concluir a série de sermões com uma ceia do Senhor servida pelos participantes do Celebrando a Recuperação. 

 

Os homens e as mulheres da equipe de líderes da recuperação serviram o pão e o vinho da ceia com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ao passarem uns pelos outros nos corredores, eles davam tapinhas nas costas uns dos outros ou se davam as mãos. Cada um deles havia passado pela solidão de uma ferida, dependência ou mau hábito e agora estava servindo a ceia em uma igreja que havia se tornado um lugar seguro para pessoas dispostas a admitir sua vida não tão perfeita. Naquele dia, mais tarde, cada um dos participantes expressou uma profunda gratidão por poder servir em uma igreja que era modelo de perdão. 

Feridas que curam feridas

As pessoas que se comprometem com o Celebrando a Recuperação, muitas vezes, estão afastadas da igreja há um bom tempo, se é que frequentaram alguma. Muitas estão descobrindo Jesus Cristo pela primeira vez na vida. Elas sabem que precisam de um lugar seguro para se curarem das feridas de seu passado, um contexto seguro no qual possam trabalhar o perdão de si mesmas e, o mais importante, um ambiente seguro no qual possam conhecer a graça e o perdão de Cristo.

O texto-chave do Celebrando a Recuperação é 2Coríntios 12.9-10: 

“Mas ele me respondeu: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco.” Portanto, eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo. Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim.” 

À medida que crescemos, tanto como cristãos como em nossa recuperação, desejamos seguir a orientação e a direção de Jesus Cristo. À medida que passamos a conhecê-lo melhor, ficamos ansiosos para servir de exemplo de seus ensinamentos e seus caminhos. Desejamos tornar-nos mais parecidos com ele. O sexto princípio diz: “Examino todos os meus relacionamentos, oferecendo perdão àqueles que me fizeram mal e reparando os danos que causei a outras pessoas, exceto quando fazê-lo provocaria mais danos a essas pessoas ou a terceiros.” Para observarmos completamente este princípio da melhor forma possível, precisamos aprender a ser exemplos da graça de Deus. 

O Celebrando a Recuperação está baseado e centrado na graça e no amor de Cristo por nós. A graça é um dom. Não pode ser comprada, mas nos é dada gratuitamente por Deus. Quando oferecemos (fazemos) nosso reparo e não esperamos nada em troca, estamos dando um presente àqueles a quem fizemos mal. 

Imperfeitos e amados

A primeira carta de Pedro 1.13 orienta-nos: “Portanto, estejam prontos para agir. Continuem alertas e ponham toda a sua esperança na bênção que será dada a vocês quando Jesus Cristo for revelado.” Se nosso relacionamento com Deus dependesse de nossa perfeição, teríamos dificuldade para nos relacionar com ele na maioria das vezes — na verdade, em todo o tempo. Graças a Deus, nosso relacionamento com ele está edificado em sua graça e em seu amor por nós. Só ele nos dá a força para reparar o mal que fizemos e oferecer o perdão que o sexto princípio requer. 

 

Podemos amar os outros só porque Deus nos amou primeiro. Significa que também podemos perdoar os outros porque Deus nos perdoou primeiro. Em Colossenses 3.13, recebemos esta instrução: “Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros.” 

Cada um de nós que convidou Jesus Cristo a entrar em sua vida é um resultado da graça de Deus. Uma vez que servirmos de exemplo desta graça, poderemos fazer o trabalho que requer o sexto princípio. 

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